Dia da Saúde e Nutrição: Alimentos influenciam na saúde mental | Labchecap
Dia da Saúde e Nutrição: Alimentos influenciam na saúde mental
Dia da Saúde e Nutrição: Alimentos influenciam na saúde mental

Hoje (31) é comemorado o Dia da Saúde e Nutrição. Quando refletimos sobre estes dois assuntos, logo associamos a qualidade de vida e alimentação saudável. No atual cenário de pandemia em que estamos vivendo, a saúde mental na quarentena tem sido uma grande preocupação desde o início da pandemia do novo coronavírus. E como podemos associar a saúde mental com o que comemos?

Existe uma relação extremamente direta entre uma boa alimentação, saúde mental e emocional e o intestino. De acordo com a Nutricionista Especialista em Nutrição Funcional, Fitoterapia Funcional e Modulação Intestinal Luana Amoedo (CRN 11633), para falar de saúde, é necessário entender algo muito importante: todos os nossos sistemas orgânicos – aqueles que compõem o funcionamento do nosso corpo humano – de alguma forma, estão interconectados.

“Às vezes um desequilíbrio em um de nossos sistemas orgânicos afeta diretamente ou indiretamente outro sistema aparentemente sem relação com esse primeiro. O intestino é o centro de equilíbrio do nosso organismo, é um órgão de defesa e proteção imunológica importantíssimo, é quem absorve os nutrientes que consumimos pela alimentação ou suplementação, para nutrir nosso sistema, nossas glândulas, para que todos funcionem corretamente. Todos os nossos sistemas dependem de nutrientes que o intestino precisa ser capaz de absorver com sucesso”, informa.

Serotonina: O hormônio da felicidade

Como está o seu humor hoje? A serotonina é um neurotransmissor que ajuda a equilibrar o humor e dá um impulso benéfico para a vida sexual; apetite; sono; memória; entre outros. De acordo com a nutricionista, a maior parte da serotonina presente no nosso organismo, cerca de 95%, é produzida em nosso trato gastrointestinal. “Parte dela é convertida em melatonina, quando estamos com baixa de serotonina no organismo, muitas vezes está relacionado a quadros de depressão; apetite descontrolado; desordem obsessivo compulsivas; fobia social; síndrome pré-menstrual. Além disso, muitos estudos associam essas baixas com o autismo, ansiedade, enxaqueca e outros”.

E como ter bons níveis de serotonina? Dra. Luana Amoedo informa que precisamos ingerir os seus precursores. “A exemplo do triptofano, aminoácido essencial pois não produzimos ele no organismo, então devemos consumi-lo através da nossa dieta ou suplementação”, elucida. Quando nos alimentamos, nossas bactérias intestinais produzem compostos que participam da comunicação entre o intestino e o cérebro. “Uma pessoa extremamente estressada e ansiosa pode fazer um quadro de disbiose intestinal, ou pode acontecer o contrário, uma pessoa com disbiose pode desencadear um quadro de depressão. Esses dois sistemas se retroalimentam o tempo todo, por isso é impossível dissociar os três temas: alimentação saudável, saúde mental e emocional e intestino”, aponta a nutricionista.

Alimentos ultraprocessados prejudicam função cerebral

Existem alimentos isolados que podem prejudicar nossa função cerebral, assim como existem padrões de alimentação que prejudicam a nossa função cerebral, mental e cognitiva. Segundo Dra. Luana Amoedo, é importante destacar também o padrão de alimentação ocidental, predominante em nosso país. “É uma alimentação rica em produtos industrializados; ultraprocessados; fast food; produtos embutidos, cheios de corantes; conservantes e gorduras vegetais altamente inflamatórias. Não podemos esquecer do BDNF – fator neurotrófico derivado do cérebro – que estimula neurogênese, produção de novos neurônios e proteção dos neurônios já existentes”.

A importância dos níveis de BDNF é um fator crucial nas doenças psiquiátricas. A nutricionista destaca os aditivos alimentares, os perigos dos corantes e os aditivos químicos tão amplamente utilizados em todos os produtos industrializados que temos hoje. “Quando falo por exemplo dos corantes carmim, vermelho cochonilha, amarelo crepúsculo, existem estudos incríveis associando esses corantes a distúrbios de hiperatividade inclusive nas crianças. Os corantes tartrazina, vermelho 40, azul brilhante, associamos também aos transtornos de hiperatividade e insônia, estão presentes em tudo o que vocês puderem imaginar como balas; biscoitos; refrigerante; suco; iogurtes; pães e bolos. Aditivos químicos são conservantes, temos o ácido benzoico (benzoato) relacionado a altas incidências de enxaqueca, hiperatividade, irritabilidade, tudo isso atrapalha nossa função cerebral e a nossa saúde mental cognitiva de uma forma geral”.

Alimentação saudável mantém o corpo em equilíbrio

“Corpo são, mente sã”. A frase é clichê, mas é verdadeira! Segundo Dra. Luana, um corpo e uma saúde equilibrados interferem diretamente na saúde mental e cognitiva. “Para falar em nutrição e saúde mental, não podemos dissociar da importância de ter um intestino saudável. E um bom intestino não é só aquele que funciona todos os dias, é importante que ele esteja com uma boa saúde capaz de blindar nossa imunidade e absorver os nutrientes que oferecemos”.

“Modular o intestino é de fundamental importância para a saúde mental, isto ocorre com a alimentação saudável, rica em alimentos naturais, rica em vegetais, frutas –não tenha medo de frutas, proteínas de boa qualidade, gorduras boas, castanhas, azeites – tudo isso é importante para melhorar nossa saúde como um todo, especialmente nossa saúde mental e cognitiva.

Existe um padrão de dieta ocidental que é altamente maléfico para o nosso sistema mental. “Alimentação com alta carga glicêmica, rica em açúcar, com excesso de pães, doces, farinhas e massas…, nossa alimentação hoje apresenta um excesso, o que é nocivo tanto para o BDNF, como para a saúde intestinal. Se a microbiota intestinal não está equilibrada isso vai refletir no corpo inteiro, incluindo os aspectos cerebrais”, elucida a nutricionista.

Onde encontrar serotonina

O BDNF – fator neurotrófico derivado do cérebro, além de melhorar com atividades físicas, com práticas ao ar livre, banho de sol, meditação, escutar música, pode ter seus níveis aumentados com alimentos. “Só aumentamos esses níveis de BNDF de forma natural, você pode investir em peixes; castanhas; azeites; abacates; frutas; vegetais; ovos; chocolate com altas concentrações de cacau; ervas; especiarias; cúrcuma; pimenta do reino; chás como o chá verde; frutas vermelhas; mirtilos; tudo isso pode ajudar muito”.

E complementa. “Chá de passiflora; quercetina presente na casca da cebola; casca da maça (orgânicos por favor!); goiaba; alho; uva; nozes; brócolis; couve; espinafre; amendoim e laranja. E obviamente podemos buscar alimentos ricos em triptofano, precursor de serotonina, encontrado em banana, aveia, amêndoas, queijo, castanha de caju e ovo”. Uma alimentação saudável sempre vai ajudar em qualquer processo do nosso corpo humano. A nutricionista ressalta que de uma simples disfunção hormonal a um câncer, uma boa alimentação sempre será bem-vinda pois irá manter o corpo em equilíbrio, com baixos níveis de inflamação e altos níveis de nutrientes circulando em nossa corrente sanguínea. “Quando a gente fala em boa alimentação falamos em intestino saudável e, o intestino sendo o centro de equilíbrio em nosso organismo, estando saudável, desinflamado, com perfeita sintonia da microbiota, das suas funções, da função absortiva, função de barreira imunológica, certamente protegerá os nossos outros sistemas”, informa Dra. Luana.

Dica da Nutri!

Para concluir a entrevista, a nutricionista Luana Amoedo deixa uma mensagem super importante sobre a nossa saúde. “Tudo está interconectado, o intestino é o centro de equilíbrio do nosso organismo, e compreender isso nos leva a entender um pouco melhor sobre a importância da alimentação. A dica é: Coma o mais natural possível! Invista em frutas, verduras, saladas crua ou cozida, carnes, peixes, ovos, gorduras boas que vem do abacate, castanhas, amêndoas, nozes, azeite de oliva.

Alimentação boa não custa caro! Evite ao máximo produtos industrializados, ultraprocessados, ricos em corantes e conservantes. Quanto maior o tempo de vida do alimento, menor é o seu. Vou usar uma frase clichê pra finalizar: vamos desembalar menos e descascar mais, em prol de uma boa saúde mental, cognitiva, emocional e uma boa saúde. De maneira geral, alimentando-se bem, nutrindo-se bem, com nosso intestino equilibrado, equilibra o nosso corpo todo, e o que a gente ganha com isso é saúde em todos os nossos sistemas”, finaliza.