Medicina fetal: entenda a importância para a saúde do bebê
Medicina fetal: entenda a importância para a saúde do bebê

Quando uma mulher recebe o resultado do exame Beta HCG e confirma a gravidez, algumas dúvidas são inerentes a este momento. A principal delas é sobre a saúde do bebê. Para tratar com propriedade sobre o tema e contribuir com as grávidas de primeira viagem ou com aquelas mães de outras viagens, mas que ainda não conhecem bem sobre o assunto, convidamos Drª. Luana Sarmento, Ginecologista e Obstetra, especialista em Medicina Fetal, para responder as principais perguntas.

Confira na entrevista a seguir!

Qual a importância do acompanhamento ultrassonográfico durante a gestação para a mãe e a saúde do bebê?

O acompanhamento ultrassonográfico da gestação tem o objetivo de assegurar o bem-estar materno-fetal e, na detecção de eventuais alterações, poder informar à paciente, familiares e médicos assistentes sobre os achados, possibilitando o melhor desfecho da gravidez.

Esses exames no período gravídico tornaram-se ferramentas de maior importância na condução das gestações, tanto de alto quanto de baixo risco, trazendo dados que auxiliam e, por vezes, determinam a conduta frente a patologias maternas e/ou fetais.

De forma geral, os exames permitem avaliar a idade gestacional, o número de fetos, o peso fetal, a quantidade de líquido, a localização e a morfologia da placenta, a qualidade do fluxo sanguíneo que chega ao feto, o bem-estar fetal, além de permitir a detecção de malformações e síndromes fetais.

Quais são os exames ultrassonográficos que devem ser realizados durante a gestação?

Devem ser realizados: exame obstétrico transvaginal (obstétrico inicial); ultrassonografia morfológica do 1º trimestre; ultrassonografia morfológica do 2º trimestre; ultrassonografia obstétrica simples ou com doppler, e ecocardiografia fetal.

Saúde do bebê

Em relação aos exames morfológicos do 1º e do 2º trimestre:

Ultrassonografia morfológica do 1º trimestre

Com quantas semanas devem ser realizados?

Deve ser realizado no período entre 11 semanas e 3 dias e 13 semanas e 6 dias (ou quando o feto mede entre 45-84 mm da cabeça às nádegas);

Como são realizados?

Em geral, é realizado por via abdominal, podendo ser complementado por via transvaginal em algumas situações específicas (úteros retrovertidos, miomas numerosos, pacientes obesas, entre outros);

Quais os objetivos?

Seus objetivos são: demonstrar a vitalidade fetal, confirmar a datação da gravidez, determinar o número de fetos e placentas em casos de gestações múltiplas, identificar malformações fetais e rastrear síndromes do número de cromossomos, como a síndrome de Down;

Quais os principais aspectos que podem ser observados através deles?

Os principais aspectos avaliados são: o comprimento cabeça-nádegas, a medida da translucência nucal, a presença do osso nasal, o doppler do ducto venoso, o funcionamento da válvula tricúspide, além da formação de algumas estruturas (calota craniana, a face, os membros, o coração, a parede abdominal, os rins e a bexiga).

Como devem ser solicitados pelos obstetras?

Este exame deve ser solicitado pelo obstetra ou enfermeiro assistente como ultrassonografia morfológica do 1º trimestre, com ou sem doppler que, em caso positivo, inclui a avaliação do fluxo das artérias uterinas, para fazer avaliação de risco de desenvolvimento de pré-eclâmpsia.

Ultrassonografia morfológica do 2º trimestre

Com quantas semanas devem ser realizados?

Deve ser realizada no período entre 20 e 24 semanas;

Como são realizados?

É realizada por via abdominal, com complementação por via transvaginal para medida do colo uterino e avaliação da posição da placenta (quando solicitada pelo médico assistente);

Quais os objetivos?

Seus objetivos são: detecção de anomalias fetais, rastreamento de síndromes do número de cromossomos (como a síndrome de Down) e estratificação de risco para trabalho de parto prematuro;

Quais os principais aspectos que podem ser observados através deles?

Os principais aspectos avaliados são a morfologia e a medida de estruturas dos diversos sistemas orgânicos para determinar se há alguma anormalidade no desenvolvimento. As estruturas avaliadas incluem o sistema nervoso central, a face, os pulmões, o coração, a parede abdominal e o abdome, os rins e a bexiga, a genitália, a coluna e os membros, o colo uterino e a posição da placenta em relação ao colo;

Como devem ser solicitados pelos obstetras?

Este exame deve ser solicitado pelo médico assistente como ultrassonografia morfológica do 2º trimestre com cervicometria, com ou sem doppler que, em caso positivo, inclui a avaliação do fluxo das artérias uterinas, para continuar avaliando o risco de desenvolvimento de pré-eclâmpsia.

Em relação à ecocardiografia fetal, quando está indicada, em que período deve ser feita e qual o profissional habilitado para realizá-la?

A ecocardiografia fetal é um exame realizado através da ultrassonografia por profissional capacitado, geralmente um cardiologista pediátrico com atuação nas áreas da ecocardiografia pediátrica e fetal. É realizada por via abdominal no final do 2º trimestre e início do 3º trimestre, idealmente entre 24 e 28 semanas.

Pode ser realizada rotineiramente, enquanto estratégia de rastreio, ser reservada a pacientes com indicações específicas pelo risco de ocorrência de doenças cardíacas fetais (gestantes com diabetes tipo 2, cardiopatas, antecedente de filho com cardiopatia congênita, portadoras de lúpus, entre outros) ou quando há suspeita de cardiopatia por outro exame.

Além dos exames ultrassonográficos, existem outros exames do escopo da medicina fetal que podem ser solicitados no seguimento da gestação.

Como funciona a bioquímica do 1º trimestre?

A bioquímica do 1º trimestre inclui os exames beta-hCG livre, PAPP-A e PlGF.  Estes são exames laboratoriais, de sangue, que devem ser colhidos, preferencialmente entre 10 e 12 semanas, e associados aos resultados do exame ultrassonográfico.

Eles melhoram a taxa de detecção de síndromes do número de cromossomos do exame morfológico do 1º trimestre e fazem avaliação de risco para o desenvolvimento de pré-eclâmpsia (pressão alta da gravidez).

O que é o NIPT?

É um exame não invasivo para triagem em relação à presença de síndromes do número de cromossomos fetais. Seu nome vem do inglês non invasive prenatal testing. Ele detecta DNA fetal livre na corrente sanguínea da gestante. Pode ser realizado após 10 semanas de gravidez.

Pode ser feito como rastreio universal, para todas as gestantes, ou em estratégia de contingência, em que apenas as pacientes com risco intermediário para essas síndromes teriam indicação de realizá-lo.

E os exames invasivos, em que consistem?

São exames que podem ser solicitados no seguimento de pacientes com patologias fetais observadas à ultrassonografia, como o cariótipo fetal, que determina a existência de alterações no número de cromossomos do feto, identificando possíveis síndromes fetais (como a síndrome de Down, de Edwards, Patau e Turner).

Ele pode ser realizado a partir da coleta de células da placenta (biópsia de vilo corial) ou do líquido amniótico (amniocentese), a depender do período da gestação em que a paciente se encontra.

Também podem ser pesquisadas infecções fetais congênitas quando há suspeita, sendo realizada a partir da coleta de líquido amniótico (amniocentese).

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